Domingos José Soares de Oliveira é um ator, dramaturgo e cineasta brasileiro. Envolveu-se com o teatro amador, depois começou a escrever e a realizar para o cinema. A sua primeira longa-metragem, intitulada Todas as mulheres do mundo, foi realizada em 1966, sendo já autor de mais de 20 peças teatrais e tendo dirigido vários filmes.
Hino à arte
"Toda vez que se inaugura um palco, os Deuses do Teatro ficam contentes e festejam. Não porque ganharam um novo templo, são Deuses humildes, não querem ser adorados. Nem gostam. Mas porque sabem que assim os homens ao redor serão mais felizes. Terão ali a oportunidade rara de assistir a própria grandeza, de ver espelhada ali a sua própria grandeza. Ali serão vividas grandes amizades e amores. Ali todos trabalharão juntos, criando acontecimentos que jamais ocorreriam sem o palco. O palco sabe que não é apenas tábuas no chão. Que é um gerador de significados. Ali é o lugar onde a imaginação ficará livre, sendo a imaginação o único campo em que um homem é realmente livre. Ali serão discutidos os problemas da comunidade, porque o palco sempre foi a melhor tribuna. Ali, homens diante de homens falarão de sua alma. Discutirão e compartilharão alegrias e tristezas como se fossem um só. Trabalharão alegremente por um mundo melhor e mais solidário. Inaugurar um teatro é criar uma ilha de liberdade. De lucidez. De solidariedade (nada une mais as pessoas do que o teatro). Não é somente um local de diversão. É isso também. Mas, principalmente, é um lugar de reflexão, de descoberta, da revolução e do encontro com o outro".
Pablo Neruda (1904-1973)
Peixe Preso Dentro do Vento
"Tu perguntas
o que uma lagosta tece lá embaixo com seus pés dourados?
Respondo que o oceano sabe.
E por quem a medusa espera em sua veste transparente?
Está esperando pelo tempo, como tu.
'Quem as algas apertam em seu abraço...', perguntas
'mais firme que uma hora e um mar certos?' Eu sei.
Perguntas sobre a presa branca do narval
e eu respondo contando como o unicórnio do mar,
arpado, morre.
Perguntas sobre as plumas do rei-pescador
que vibram nas puras primaveras dos mares do sul.
Quero te contar que o oceano sabe isto:
que a vida, em seus estojos de jóias,
é infinita como a areia incontável, pura;
e o tempo, entre uvas cor de sangue
tornou a pedra dura e lisa encheu a água-viva de luz,
desfez o seu nó, soltou seus fios musicais
de uma cornicópia feita de infinita madrepérola.
Sou só a rede vazia diante dos olhos humanos na escuridão
e de dedos habituados à longitude
do tímido globo de uma laranja.
Caminho como tu, investigando a estrela sem fim
e em minha rede, durante a noite, acordo nu.
A única coisa capturada é um peixe preso dentro do vento".
Luís Fernando Veríssimo é um escritor brasileiro. Mais conhecido pôr suas crônicas e textos de humor, publicados diariamente em vários jornais brasileiros, Veríssimo é também cartunista e tradutor, além de roteirista de televisão, autor de teatro e romancista. Já foi publicitário e copy desk de jornal. É ainda músico, tendo tocado saxofone em alguns conjuntos. Com mais de 60 títulos publicados, é um dos mais populares escritores brasileiros contemporâneos.
Provocações
A primeira provocação ele agüentou calado. Na verdade, gritou e esperneou. Mas todos os bebês fazem assim, mesmo os que nascem em maternidade, ajudados por especialistas. E não como ele, numa toca, aparado só pelo chão. A segunda provocação foi a alimentação que lhe deram, depois do leite da mãe. Uma porcaria. Não reclamou porque não era disso. Outra provocação foi perder a metade dos seus dez irmãos, por doença e falta de atendimento. Não gostou nada daquilo. Mas ficou firme. Era de boa paz. Foram lhe provocando por toda a vida. Não pode ir a escola porque tinha que ajudar na roça. Tudo bem, gostava da roça. Mas aí lhe tiraram a roça. Na cidade, para aonde teve que ir com a família, era provocação de tudo que era lado. Resistiu a todas. Morar em barraco. Depois perder o barraco, que estava onde não podia estar. Ir para um barraco pior. Ficou firme. Queria um emprego, só conseguiu um subemprego. Queria casar, conseguiu uma submulher. Tiveram subfilhos. Subnutridos. Para conseguir ajuda, só entrando em fila. E a ajuda não ajudava. Estavam lhe provocando. Gostava da roça. O negócio dele era a roça. Queria voltar pra roça. Ouvira falar de uma tal reforma agrária. Não sabia bem o que era. Parece que a idéia era lhe dar uma terrinha. Se não era outra provocação, era uma boa. Terra era o que não faltava. Passou anos ouvindo falar em reforma agrária. Em voltar à terra. Em ter a terra que nunca tivera. Amanhã. No próximo ano. No próximo governo. Concluiu que era provocação. Mais uma. Finalmente ouviu dizer que desta vez a reforma agrária vinha mesmo. Para valer. Garantida. Se animou. Se mobilizou. Pegou a enxada e foi brigar pelo que pudesse conseguir. Estava disposto a aceitar qualquer coisa. Só não estava mais disposto a aceitar provocação. Aí ouviu que a reforma agrária não era bem assim. Talvez amanhã. Talvez no próximo ano... Então protestou. Na décima milésima provocação, reagiu. E ouviu espantado, as pessoas dizerem, horrorizadas com ele: - Violência, não!
Jean-Paul Charles Aymard foi um filósofo francês, escritor e crítico, conhecido representante do existencialismo. Acreditava que os intelectuais têm de desempenhar um papel ativo na sociedade. Era um artista militante, e apoiou causas políticas de esquerda com a sua vida e a sua obra.Repeliu as distinções e as funções oficiais e, por estes motivos, se recusou a receber o Nobel de Literatura de 1964. Sua filosofia dizia que no caso humano (e só no caso humano) a existência precede a essência, pois o homem primeiro existe, depois se define, enquanto todas as outras coisas são o que são, sem se definir, e por isso sem ter uma "essência" posterior à existência.
"Separados pela língua, pela política e pela história de seus colonizadores, tem em comum uma memória coletiva. Eles aprenderam que do utensílio o branco sabe tudo. Mas o utensílio apenas arranha a superfície das coisas, desconhece a duração, ignora a vida. Já a negritude, ao invés, é uma compreensão por simpatia. O segredo do negro é que as fontes de sua existência e as raízes de ser são idênticas. O negro sabe que plantar é engravidar a terra. Depois cumpre ficar imóvel, espiar, por que ele, homem, cresce ao mesmo tempo que seus cereais. Se labor em África, é a repetição de ano em ano do coito sagrado. As técnicas contaminaram o homem branco, mas é o negro o grande macho da terra, o esperma do mundo".
Wladimir Maiakovski, Vladimir Vladimirovich Mayakovsky (Влади́мир Влади́мирович Маяко́вский), (1893-1930).
Vladimir Mayakovsky nasceu e passou a infância na aldeia de Bagdadi, nos arredores de Kutaíssi, na Geórgia, Rússia. Lá cursou o ginásio e, após a morte súbita do pai, a família ficou na miséria e transferiu-se para Moscou, onde Vladimir continuou seus estudos. Fortemente impressionado pelo movimento revolucionário russo e impregnado desde cedo de obras socialistas, ingressou aos quinze anos na facção bolchevique do Partido Social-Democrático Operário Russo. Sua obra, profundamente revolucionária na forma e nas idéias que defendeu, apresenta-se coerente, original, veemente, una. A linguagem que emprega é a do dia a dia, sem nenhuma consideração pela divisão em temas e vocábulos “poéticos” e “não-poéticos”, a par de uma constante elaboração, que vai desde a invenção vocabular até o inusitado arrojo das rimas.Ao mesmo tempo, o gosto pelo desmesurado, o hiperbólico, alia-se em sua poesia à dimensão crítico-satírica. Criou longos poemas e quadras e dísticos que se gravam na memória; ensaios sobre a arte poética e artigos curtos de jornal; peças de forte sentido social e rápidas cenas sobre assuntos do dia; roteiros de cinema arrojados e fantasiosos e breves filmes de propaganda. Tem exercido influência profunda em todo o desenvolvimento da poesia russa moderna.
Wladimir Maiakovski
"Entre o autor e o público, posta-se o intermediário. E o gosto do intermediário é bastante intermédio, medíocre. Medianeiros médios pululam nos meios, onde, galopando, teu pensamento chega. Um deles considera tudo sonolento: "sou homem de outra têmpera! perdão", e repete um só refrão: "O público não compreenderá". Camponês, só viu um faz tempo, antes da guerra. Operários, deu com dois, uma vez, numa ponte, vendo subir a água da enchente. Mas diz que os conhece como a palma da mão. Que sabe tudo o que querem! Aqui vai meu aparte: chega de chuchotar bobagens para os pobres. Também eles, podem compreender a arte. Logo, que se eleve a cultura do povo! Uma só, para todos".
Walter Arnold Kaufmann foi um filósofo, poeta e um renomado tradutor alemão. Nasceu na Alemanha e veio para a América em 1939. Ficou famoso também por traduzir as obras do filósofo Nietzsche.
"A idéia de que somente é belo o que é jovem e novo envenena nossas relações com o passado e com o nosso próprio futuro. A idéia de que somente é belo o que é jovem e novo nos impede de compreender as nossas raízes e as maiores obras de nossa cultura e das outras culturas. A idéia de que somente é belo o que é jovem e novo nos faz recear o que está à nossa frente e não entendemos, e leva muita gente a fugir da realidade".
Franz Kafka foi um dos maiores escritores de ficção da Língua alemã do século XX. Kafka nasceu numa família de classe média judia em Praga, Áustria-Hungria (agora República Tcheca). O corpo de obras suas escritas— a maioria incompleta e publicadas postumamente — destacam-se entre as mais influentes da literatura ocidental. Seu estilo literário presente em obras como a novela A Metamorfose (1915), e romances incluindo O Processo (1925) e O Castelo (1926) retratam indivíduos preocupados em um pesadelo de um mundo impessoal e burocrático.
Franz Kafka
"Leopardos invadem o templo e esvaziam os vasos sagrados. O fato se repete... se repete... e se repete. Até o dia em que se prevê o momento exato da chegada dos leopardos ao templo. E tudo isso passa a fazer parte do ritual".
Jorge Francisco Isidoro Luis Borges foi um escritor, poeta, tradutor, crítico e ensaísta argentino mundialmente conhecido por seus contos e histórias curtas. Ele nasceu, depois de morrer, porque ele viu, que seu sonho era próspero. E nunca mais voltou. Sua obra se destaca por abordar temáticas como filosofia (e seus desdobramentos matemáticos), metafísica, mitologia e teologia, em narrativas fantásticas onde figuram os "delírios do racional" (Bioy Casares), expressos em labirintos lógicos e jogos de espelhos. Ao mesmo tempo, Borges também abordou a cultura dos Pampas argentinos, em contos como O morto, "Homem da esquina rosada" e "O sul". Lida com campanhas militares históricas, como a guerra argentina contra os índios durante a presidência, entre outros, do escritor Domingo Faustino Sarmiento; trata-as, porém, como pano de fundo para criações fictícias, como em História do Guerreiro e da Cativa. E rende homenagem à literatura pregressa de seu país em contos em que se apropria do mitológico Martín Fierro: Biografia de Tadeo Isidoro Cruz (1829-1874) e "O fim".
Dois gregos estão conversando
"Dois gregos estão conversando, Sócrates, Parmenides? Convém que nunca saibamos seus nomes. A história assim será mais misteriosa e tranqüila O tema do diálogo é abstrato, aludem a mitos dos quais ambos descrêem. As razões que alegam podem ser ricas em falácias e não buscam o fim, não polemizam. Não querem persuadir nem ser persuadidos. Não pensam em ganhar ou em perder. Estão de acordo em uma única coisa: sabem que a discussão é um caminho possível para se chegar à verdade. Pensam ou procuram pensar. Essa conversa entre dois desconhecidos em um lugar da Grécia antiga é o fato capital da história, porque eles esqueceram a prece e a magia".
E aquele, entre os homens, que não quer voltar ao pó, É preciso antes que comece a cantar em qualquer canto um canto de dor. E aquele, entre os homens, que não quer gestar intrigas, É preciso antes que aprenda a calar em todas as línguas. E aquele, entre os homens, que não quer morrer de solidão, É preciso antes que comece a beijar todas as bocas. E aquele, entre os homens, que não quer morrer sem verdade, É preciso antes que aprenda a acreditar em todas elas. E aquele, entre os homens, que não quer morrer de tédio, É preciso antes que aprenda a ser todos de todas as maneiras. E aquele, entre os homens, que quer permanecer íntegro, É preciso antes que saiba silenciar todas as falas. E aquele, entre os homens, que quer permanecer sensível, É preciso antes que saiba sentir tudo de todas as maneiras. E aquele, entre os homens, que quer permanecer são, É preciso antes que saiba ter todas as loucuras.
"Darcy Ribeiro foi um antropólogo, escritor e político brasileiro que se preocupava com os índios e a educação do país. Com obras traduzidas para diversos idiomas (inglês, o alemão, o espanhol, o francês, o italiano, o hebraico, o húngaro e o checo), Darcy Ribeiro figura entre os mais notórios intelectuais brasileiros".
O Brasil
"O Brasil cresceu visivelmente nos últimos 80 anos. Cresceu mal, porém. Cresceu como um boi mantido, desde bezerro, dentro de uma jaula de ferro. Nossa jaula são as estruturas sociais medíocres, inscritas nas leis, para compor um país da pobreza na província mais bela da terra. Sendo assim, no Brasil do futuro, a maioria da gente nascerá e viverá nas ruas, em fome canina e ignorância figadal, enquanto a minoria rica, com medo dos pobres, se recolherá em confortáveis campos de concentração, cercados de arame farpado e eletrificado. Entretanto, é tão fácil nos livrarmos dessas teias, e tão necessário, que dói em nós... A nossa conivência culposa".
Anton Pavlovitch Tchékhov, em alfabeto cirílico Анто́н Па́влович Че́хов foi um importante escritor e dramaturgo russo, considerado um dos mestres do conto moderno. Era também médico, exercendo a Medicina durante o dia e frequentemente escrevendo à noite. Seus livros mais conhecidos são: Contos e narrativas, Um duelo, A Estepe, A Minha Vida, A sala número seis, Uma história sem importância. Escreveu para o teatro, primeiramente a farsa, depois o drama. Entre as suas peças, destacam-se: A Gaivota, Tio Vânia, As três irmãs, O canto do cisne, Um trágico à força, Ivanov, etc. Um de seus contos mais conhecidos é A dama do cachorrinho, de 1899.
Anton Tchecov
"Será preciso trabalhar e continuar vivendo. Mas tudo parece labirinto. Não podia ser esse meu destino Não sobra nenhuma esperança. Tenho dores. Preciso de remédios. É lúgubre, mas preciso de morfina para minha alma. O que se pode fazer? Temos que viver. Temos que suportar com paciência tudo que vem pelo destino e termos uma velhice sem conhecer o descanso. Quando chegar a hora, morreremos com submissão e vamos dizer, no outro mundo, que sofremos, choramos, que a vida com a morte, que não se ilude nunca, ficou amarga demais. E deus, vai ter piedade de nós. Merecíamos uma vida luminosa, esplêndida, contetes, felizes. E, vem tudo isso que nos cerca. Porque? Temos que ter fé, uma fé ardente e descansaremos. Veremos o céu coberto de diamantes. É preciso buscar alegria. Temos que ver o mal de longe. E assim, todos, nos encontraremos e descansaremos. Descansaremos".
José Ortega y Gasset foi um filósofo espanhol. Também atuou como ativista político e como jornalista. Famosa frase: "Debaixo de toda vida contemporânea se encontra latente uma injustiça."
A Rebelião das Massas
"Vivemos em um tempo que se sente capaz de realizar tudo, mas não sabe o que. Em um tempo que domina todas as coisas mas não é dono de si próprio. Sente-se perdido em sua própria fartura. Com mais meios, mais saber, mais técnicas do que nunca, esse tempo - o mais infeliz que já houve - avança para o... nada!”
Fernando António Nogueira Pessoa, mais conhecido como Fernando Pessoa, foi um poeta e escritor português. É considerado um dos maiores poetas da Língua Portuguesa, e o seu valor é comparado ao de Camões. O crítico literário Harold Bloom considerou a sua obra um "legado da língua portuguesa ao mundo”. Pode-se dizer que a vida do poeta foi dedicada a criar e que, de tanto criar, criou outras vidas através dos seus heterônimos, o que foi a sua principal característica e motivo de interesse pela sua pessoa, aparentemente muito pacata. Alguns críticos questionam se Pessoa realmente teria transparecido o seu verdadeiro eu ou se tudo não teria passado de um produto, entre tantos, da sua vasta criação. Ao tratar de temas subjetivos e usar a heteronímia, torna-se enigmático ao extremo. Este fato é o que move grande parte das buscas para estudar a sua obra. O poeta e crítico brasileiro Frederico Barbosa declara que Fernando Pessoa foi "o enigma em pessoa". Escreveu sempre, desde o primeiro poema aos sete anos, até ao leito de morte. Importava-se com a intelectualidade do homem, e pode-se dizer que a sua vida foi uma constante divulgação da língua portuguesa: nas próprias palavras do heterônimo Bernardo Soares, "a minha pátria é a língua portuguesa".
A Alma Humana
"A alma humana é um manicômio de caricaturas. Se uma alma pudesse revelar-se com verdade E nem houvesse um pudor mais profundo que todas as vergonhas conhecidas, definidas Seria, como dizem, da verdade o poço. Mas um poço sinistro, cheio de ecos vagos, habitado por vidas ignóbeis, viscosidades sem vida, lesmas sem ser. Ranho da subjetividade. Eis a alma".
Eugen Berthold Friedrich Brecht foi um destacado dramaturgo, poeta e encenador alemão do século XX. Seus trabalhos artísticos e teóricos influenciaram profundamente o teatro contemporâneo, tornando-o mundialmente conhecido a partir das apresentações de sua companhia o Berliner Ensemble realizadas em Paris durante os anos 1954 e 1955. Ao final dos anos 1920 Brecht torna-se marxista, vivendo o intenso período das mobilizações da República de Weimar, desenvolvendo o seu teatro épico. Sua praxis é uma síntese dos experimentos teatrais de Erwin Piscator e Vsevolod Emilevitch Meyerhold, do conceito de estranhamento do formalista russo Viktor Chklovski, do teatro chinês e do teatro experimental da Rússia soviética, entre os anos 1917-1926. Seu trabalho como artista concentrou-se na crítica artística ao desenvolvimento das relações humanas no sistema capitalista. Seus textos e montagens o fizeram conhecido mundialmente. Brecht é um dos escritores fundamentais deste século: revolucionou a teoria e a prática da dramaturgia e da encenação, mudou completamente a função e o sentido social do teatro, usando-o como arma de conscientização e politização.
Nada é impossível de mudar
"Nada é impossível mudar Desconfiai do mais trivial, na aparência singelo. E examinai, sobretudo, o que parece habitual. Suplicamos expressamente: não aceiteis o que é de hábito como coisa natural, pois em tempo de desordem sangrenta, de confusão organizada, de arbitrariedade consciente, de humanidade desumanizada, nada deve parecer natural nada deve parecer impossível de mudar". OS QUE LUTAM Bertold Brecht
“Há aqueles que lutam um dia; e por isso são muito bons;
Há aqueles que lutam muitos dias; e por isso são muito bons;
Há aqueles que lutam anos; e são melhores ainda;
Porém há aqueles que lutam toda a vida; esses são os imprescindíveis.”
ProssigamosBertolt Brecht
"Toda via prossigamos! Seja de que maneira for! Saiamos a campo para a luta, lutemos, então! Não vimos já como a crença removeu montanhas? Não basta então termos descoberto que alguma coisa está sendo ocultada? Essa cortina que nos aculta isto e aquilo, é preciso arrancá-la! "
Banda: Umbilichaos/ Álbum: Entrails/ Ano: 2009/ Origem: Brasil
Formação: Clayton Freres da Cunha: vocal, guitarra, programação de bateria
Tiago Bueno: guitarra
Acaba de sair do forno Entrails, primeiro álbum da banda Umbilichaos. O trabalho foi gravado por Bernardo Pacheco ( Elma, Are You God?, Ratos de Porão, Presto), mixado e masterizado por Henrique Pucci (Paúra, Fim do Silêncio, Desalmado).
Muitas perguntas rondarão a cabeça, e muita reflexão será resultado certo da experiência som/imagem causada por este trabalho. À começar pelo belo encarte, que traz na capa o desenho de... um rosto?, uma vagina?, uma garganta?. Abra a caixinha e ponha para tocar o... EP?, LP?. Bom, são três faixas, sendo que duas alcançam quase a marca de vinte minutos! o que não é nem um pouco ruim, devido a viagem proporcionada por tais.
É hora do som! Space Rock, Stoner, Progressivo... Podem se mesclar infindáveis referências numa massa sonora cheia de personalidade, autêntica, original. Você sente as influências, mas não consegue decifrá- las, pois vagam pela atmosfera do disco, no ar, sem que possamos tocar.
A sensação que se tem ao ouvir Entrails é a de levar um soco no estômago, lento e constante, de punhos tão cerrados que a ponta dos dedos sangra a própria pele do agressor como se fosse ao mesmo tempo uma briga e auto-punição. O soco atravessa a pele e a palma da mão se abre, passando pelos órgão sem tocá- los, com movimentos sutis, limpos e precisos. Então a mão se abre e as pontas dos dedos começam a corroer os ossos com unhas enormes e afiadas, em movimentos repetitivos, mecânicos. Os punhos abrem e fecham revelando a cada baforada esfumaçante do agressor uma nova dose de adrenalina que faz com que um mantenha o outro de pé, pois um depende do outro. A coexistência depende de um adversário, alguém em quem passar a rasteira e tirar a bandeira no topo, mantendo-se Deus por alguns segundos, antes que a fila dos prazeres umbilicais ande; sexo- brutal, feira de estupros coletivos em paisagens desoladoras, repletas de destroços e harmonizada por gritos desesperados, de uma mórbida esperança.
Isto é um pouco dos sentidos causados, uma viagem, uma leitura provocada por Entrails. Muito mais que guitarras, baixo e bateria (eletrônica); um sentido de vida, uma viagem profunda adentro a alma dissecada de um artista. Esta é a Umbilichaos, em algum porão fazendo "barulho", no subterrâneo, infelizmente à mercê de uma cidade inóspita ao que se refere espaço para a arte local.
Entre no myspace da banda e ouça "Speculum Phase". Baixe o álbum, divulgue, pirateie. Espaço para a margem da sociedade!
O Informe ARTHE entrevisou o ator, diretor e poeta Almir Marcelino, desde os anos 70 um dos defensores da arte na cidade de Mairiporã. Almir é membro co- fundador do grupo de Teatro Bothokipariu, junto com João Cardoso e Djalma Lima; e um dos fundadores e mentor do grupo Roda Teatral, que defendeu Mairiporã na fase regional do Mapa Cultural Paulista 2009/2010 com a peça Sermos Pelo Que Somos, que tem como autor e diretor o mesmo que fala sobre arte no foco de nossa entrevista, sob a ótica de muitas pedras já roladas ao longo dos últimos 30 anos.
Qual a importância da arte em sua vida? Tem a importância do alimento, do ar que respiro, da própria percepção que eu tenho da vida. Pode parecer exagero, mas, em geral as pessoas não se dão conta de que a arte nutre a vida em todos os sentidos, e as sociedades que fecham os olhos para a expressão humana, para a vida artística, para a percepção do que é natural e essencialmente belo, em geral são sociedades pobres, material, espiritual e intelectualmente.
Então você acredita que as atividades culturais têm poder transformador? Eu acredito sim, que a atividade "humana" tem o poder transformador. A humanidade se transforma através das inúmeras atividades "humanas". Porém essas atividades só podem levar á transformações sociais de caráter mais amplo, se forem adotadas como projetos políticos para este fim. Caso contrário, as atividades em geral têm uma força transformadora lenta, quase imperceptível. É o caso da atividade cultural, que em tese promove a transformação do indivíduo.
"Tenho procurado fazer o que posso e o que não posso, para que a questão cultural seja tema não no futuro, mas no presente em Mairiporã"
Durante sua trajetória, você sofreu algum tipo de censura ou encontrou outros empecilhos pelo caminho? Sim, lá no início, além da censura que existia no país, isso se refletia e infelizmente se reflete até hoje na cidade, através da mentalidade ainda retrógrada da maioria das pessoas que sempre estiveram no poder aqui em Mairiporã.
É bom que se diga que esse poder vai desde as "pequenas autoridades" ou os "aspones" de plantão -que são terríveis-, passando pelo poder religioso, liderado pela Igreja Católica, pelos detentores do poder econômico, e pelo poder político pseudo- constituído. Empecílhos? A lista daria outra Enciclopédia. Por isso vamos em frente enquanto outro não surge.
Você ainda tem fé, esperança, quando tenta avistar um futuro em Mairiporã envolvendo as artes? Por incrível que pareça eu tenho fé e esperança, mas não essa fé cega e babaca, nem essa esperança de boca aberta, esperando que as coisas caiam do céu. Verde esperança não! Tenho procurado fazer o que posso e o que não posso, para que a questão cultural seja tema não no futuro, mas no presente de Mairiporã.
Vislumbrar, trabalhar, mentalizar, realizar a tarefa de fazer com que Mairiporã aposte e invista na cultura, aliada a educação, saúde, turismo e esporte como atividade econômica, geradora de emprego, renda e identidade para o município. Pode ser utopia, mas precisamos resgatar as utopias, se quisermos sair da lenda para entrar para a história.
Em sua estreia na direção, Selton Mello revela um grande potencial e promessa para futuras produções no cinema nacional. Feliz Natal é um filme duro, seco, com seus vários personagens sofridos, cheios de uma história, um passado no ar... -já que não temos obviedades de suas biografias ao longo da trama- que resulta em incômodo, angústia no agora. A câmera de Selton vaga trêmula, buscando fugir do encontro com lugares comuns, tornando para quem aprecia o longa da poltrona, uma jornada íntima e prazerosa exatamente por este diferencial. Recorte num olhar, uma mão que acena, quase como uma mosca vigiando os atores sem que eles saibam. Tudo numa atmosfera que conta ainda com a trilha sonora de Plínio Profeta, certeiro meio ao desequilíbrio, falsas imagens, pose de uma família que desmorona de dentro para fora e vice versa. Feliz Natal dialoga com o turco Três Macacos (2008), de Nuri Bilge Ceilan, com sua iluminação escura, fotografia de Lula Carvalho carregando uma densidade e peso ainda maior nos olhares perdidos, talvez no passado, ou qualquer tempo, com exceção do presente, já que nunca avistam quem muitas vezes está ao lado, solitário, pedindo por afeto. Falta de coragem, fuga do próprio nariz, longos silêncios, aqueles mesmos que em muitos momentos dizem mais do que mil palavras. Um filho que é a ovelha negra, desgarrada do bando; o pai frio ao chamado deste filho; o irmão endinheirado = salvador da pátria, bom moço da família; a mãe que fala com o vácuo de ouvidos sem atenção, desnorteada pela loucura da tarja preta, e outros anões de Selton Mello circulam e respiram num tempo úmido, sufocante, com suas cicatrizes sendo cutucadas e o medo que leva à fuga e lágrimas engolidas. O futuro soa como uma barreira de chumbo, erguida pela intransigência que não respeita escolhas nem conhece o perdão, a compreensão. Uma barreira que só ganha força à medida que cada palavra da alma é massacrada por um desvio superficial. Assim caminha esse natal, em que a colisão vai se tornando tão necessária que muitas vezes acaba por ser solitária, acontecendo no que se rompe a tênue linha que separa a sanidade da loucura; a inércia proposital dos sentimentos e o desabar por traumas vivos e abertos.
Em 1940 Charles Chaplin lança seu primeiro filme falado. Tal como os outros filmes do cineasta, O Grande Ditador possue relação de extrema historicidade. A Era dos Extremos influenciou Chaplin a falar sobre humanismo, solidariedade, tolerancia, vida e morte. A cride de 1929 e a profunda ressessão que ela causou levou muitos a mais profunda pobreza, desespero e amargura, culminou em totalitarismos na europa, "facismo", a ascensão do nazismo na Alemanha, e uma Guerra sem presedentes iguais que teve fim com a maior demostração de poder e desrespeito a vida humana, claramente a maior atrocidade já feita em toda a História do homem: A Bomba Atômica. Postaremos aqui o discurso que Chaplin faz ao final de seu filme O Grande Ditador, ali ele pede por democracia (de fato), humanismo, e sobretudo pede por mudanças. Mudanças de hábitos, mudanças por liberdades, por respeito e pela vida. Chaplin criou com o filme um manisfesto sobre humanismo, e condenou ferósmente toda forma de represão existente a vida humana, seja ela de despotas que tem como base o uma ditadura socialista ou capitalista, a monarquia ou a democracia republicana, seja ela de governos ditos democratas. Chaplin nos pede o fim da inocencia e alienação, e nos convoca a marchar para as liberdades à qual todo ser humano tem direito por excelencia.
O Grande Ditador
“Sinto muito, mas não pretendo ser um imperador. Não é esse o meu ofício. Não pretendo governar ou conquistar quem quer que seja. Gostaria de ajudar – se possível – judeus, o gentio... negros... brancos. Todos nós desejamos ajudar uns aos outros. Os seres humanos são assim. Desejamos viver para a felicidade do próximo – não para o seu infortúnio. Por que havemos de odiar e desprezar uns aos outros? Neste mundo há espaço para todos. A terra, que é boa e rica, pode prover a todas as nossas necessidades. O caminho da vida pode ser o da liberdade e da beleza, porém nos extraviamos. A cobiça envenenou a alma dos homens... levantou no mundo as muralhas do ódio... e tem-nos feito marchar a passo de ganso para a miséria e os morticínios. Criamos a época da velocidade, mas nos sentimos enclausurados dentro dela. A máquina, que produz abundância, tem-nos deixado em penúria. Nossos conhecimentos fizeram-nos céticos; nossa inteligência, empedernidos e cruéis. Pensamos em demasia e sentimos bem pouco. Mais do que de máquinas, precisamos de humanidade. Mais do que de inteligência, precisamos de afeição e doçura. Sem essas virtudes, a vida será de violência e tudo será perdido. A aviação e o rádio aproximaram-nos muito mais. A própria natureza dessas coisas é um apelo eloqüente à bondade do homem... um apelo à fraternidade universal... à união de todos nós. Neste mesmo instante a minha voz chega a milhares de pessoas pelo mundo afora... milhões de desesperados, homens, mulheres, criancinhas... vítimas de um sistema que tortura seres humanos e encarcera inocentes. Aos que me podem ouvir eu digo: “Não desespereis! A desgraça que tem caído sobre nós não é mais do que o produto da cobiça em agonia... da amargura de homens que temem o avanço do progresso humano. Os homens que odeiam desaparecerão, os ditadores sucumbem e o poder que do povo arrebataram há de retornar ao povo. E assim, enquanto morrem homens, a liberdade nunca perecerá. Soldados! Não vos entregueis a esses brutais... que vos desprezam... que vos escravizam... que arregimentam as vossas vidas... que ditam os vossos atos, as vossas idéias e os vossos sentimentos! Que vos fazem marchar no mesmo passo, que vos submetem a uma alimentação regrada, que vos tratam como gado humano e que vos utilizam como bucha de canhão! Não sois máquina! Homens é que sois! E com o amor da humanidade em vossas almas! Não odieis! Só odeiam os que não se fazem amar... os que não se fazem amar e os inumanos! Soldados! Não batalheis pela escravidão! Lutai pela liberdade! No décimo sétimo capítulo de São Lucas está escrito que o Reino de Deus está dentro do homem – não de um só homem ou grupo de homens, ms dos homens todos! Está em vós! Vós, o povo, tendes o poder – o poder de criar máquinas. O poder de criar felicidade! Vós, o povo, tendes o poder de tornar esta vida livre e bela... de faze-la uma aventura maravilhosa. Portanto – em nome da democracia – usemos desse poder, unamo-nos todos nós. Lutemos por um mundo novo... um mundo bom que a todos assegure o ensejo de trabalho, que dê futuro à mocidade e segurança à velhice. É pela promessa de tais coisas que desalmados têm subido ao poder. Mas, só mistificam! Não cumprem o que prometem. Jamais o cumprirão! Os ditadores liberam-se, porém escravizam o povo. Lutemos agora para libertar o mundo, abater as fronteiras nacionais, dar fim à ganância, ao ódio e à prepotência. Lutemos por um mundo de razão, um mundo em que a ciência e o progresso conduzam à ventura de todos nós. Soldados, em nome da democracia, unamo-nos! Hannah, estás me ouvindo? Onde te encontrares, levanta os olhos! Vês, Hannah? O sol vai rompendo as nuvens que se dispersam! Estamos saindo da treva para a luz! Vamos entrando num mundo novo – um mundo melhor, em que os homens estarão acima da cobiça, do ódio e da brutalidade. Ergue os olhos, Hannah! A alma do homem ganhou asas e afinal começa a voar. Voa para o arco-íris, para a luz da esperança. Ergue os olhos, Hannah! Ergue os olhos!”
Caro Leitor e contribuinte do blog, aqui é seu espaço para dizer, reclamar, postar, criticar ou elogiar o que quizer e quem quizer como quizer. Este espaço é seu, é sua oportunidade para um manisfesto sobre o tema que vc achar importante, poesias, análises sobre a arte, política, sociedade, personagens históricos ou desconhecidos, tudo o que você sempre quis dizer mas nunca ninguem lhe perguntou, ou aquilo que você sempre quis perguntar mas nunca ninguem lhe explicou. Esta parte do blo é dedicada inteiramente a você, não disperdisse esta oportunidade.
Em Grades Manifestos vamos postar declarações ou manifestações políticas, artisticas e ideológicas, de gradendes personagens ou de pessoas desconhecidas mas que em determinado momento da História sintetizaram a vontade da coletividade. Esperamos que vc's gostem e que nos ajudem dando indicações sobre manisfestos que abalaram o mundo.
Aqui nós vamos homenagear grandes poetas, grandes homens, aqueles que mudaram a forma de entender a sua época e o mundo. Classicos ou contemporâneos eles nos deram o que possuiam de melhor, então nossa foram de agradecer é lendo-los, compreendendo assim sua perspectiva e visão de mundo.
Nessa série vamos privilegiar produções poéticas independentes, anônimas ou amadoras dos pensadores desconhecidos. Muitas serão de poétas mairiporenses (nossa cidade) mas querenos atingir a todos, então os leitores que participam do blog podem mandar poesias proprias ou de conhecidos, ou simplesmente indicar. Este é um canto para os desconhecidos, os Poetas da Casa.
Se os tubarões fossem homens, eles fariam construir resistentes caixas do mar, para os peixes pequenos com todos os tipos de alimentos dentro, tanto vegetais, quanto animais.
Eles cuidariam para que as caixas tivessem água sempre renovada e adotariam todas as providências sanitárias, cabíveis se por exemplo um peixinho ferisse a barbatana, imediatamente ele faria uma atadura a fim que não morressem antes do tempo.
Para que os peixinhos não ficassem tristonhos, eles dariam cá e lá uma festa aquática, pois os peixes alegres tem gosto melhor que os tristonhos.
Naturalmente também haveria escolas nas grandes caixas, nessas aulas os peixinhos aprenderiam como nadar para a guela dos tubarões.
Eles aprenderiam, por exemplo a usar a geografia, a fim de encontrar os grandes tubarões, deitados preguiçosamente por aí. aula principal seria naturalmente a formação moral dos peixinhos.
Eles seriam ensinados de que o ato mais grandioso e mais belo é o sacrifício alegre de um peixinho, e que todos eles deveriam acreditar nos tubarões, sobretudo quando esses dizem que velam pelo belo futuro dos peixinhos.
Se encucaria nos peixinhos que esse futuro só estaria garantido se aprendessem a obediência.
Antes de tudo os peixinhos deveriam guardar-se antes de qualquer inclinação baixa, materialista, egoísta e marxista e denunciaria imediatamente aos tubarões se qualquer deles manifestasse essas inclinações.
Se os tubarões fossem homens, eles naturalmente fariam guerra entre sí a fim de conquistar caixas de peixes e peixinhos estrangeiros.
As guerras seriam conduzidas pelos seus próprios peixinhos. Eles ensinariam os peixinhos que entre eles os peixinhos de outros tubarões existem gigantescas diferenças, eles anunciariam que os peixinhos são reconhecidamente mudos e calam nas mais diferentes línguas, sendo assim impossível que entendam um ao outro.
Cada peixinho que na guerra matasse alguns peixinhos inimigos
Da outra língua silenciosos, seria condecorado com uma pequena ordem das algas e receberia o título de herói.
Se os tubarões fossem homens, haveria entre eles naturalmente também uma arte, havia belos quadros, nos quais os dentes dos tubarões seriam pintados em vistosas cores e suas guelas seriam representadas como inocentes parques de recreio, nos quais se poderia brincar magnificamente.
Os teatros do fundo do mar mostrariam como os valorosos peixinhos nadam entusiasmados para as guelas dos tubarões.
A música seria tão bela, tão bela que os peixinhos sob seus acordes, a orquestra na frente entrariam em massa para as guelas dos tubarões sonhadores e possuídos pelos mais agradáveis pensamentos .
Também haveria uma religião ali.
Se os tubarões fossem homens, ela ensinaria essa religião e só na barriga dos tubarões é que começaria verdadeiramente a vida.
Ademais, se os tubarões fossem homens, também acabaria a igualdade que hoje existe entre os peixinhos, alguns deles obteriam cargos e seriam postos acima dos outros.
Os que fossem um pouquinho maiores poderiam inclusive comer os menores, isso só seria agradável aos tubarões pois eles mesmos obteriam assim mais constantemente maiores bocados para devorar e os peixinhos maiores que deteriam os cargos valeriam pela ordem entre os peixinhos para que estes chegassem a ser, professores, oficiais, engenheiro da construção de caixas e assim por diante.
Curto e grosso, só então haveria civilização no mar, se os tubarões fossem homens.
Em um debate numa Universidade americana, Cristóvam Buarque, ex-governador de Brasília, foi perguntado sobre o que pensava da internacionalização da Amazônia. Quem perguntou disse que esperava a resposta de um humanista e não de um brasileiro. Esta foi a resposta de Cristóvam Buarque:
"Como brasileiro eu simplesmente falaria contra a internacionalização da Amazônia. Por mais que nossos governos não tenham o devido cuidado com esse patrimônio, ele é nosso. Como humanista, sentindo o risco da degradação ambiental que sofre a Amazônia, posso imaginar a sua internacionalização, como também de tudo o mais que tem importância para a humanidade. Se sob uma ética humanista, a amazônia deve ser internacionalizada, internacionalizemos também as reservas de petróleo do mundo inteiro. O petróleo é tão importante para o bem-estar da humanidade quanto a Amazônia para o nosso futuro. Apesar disso, os donos das reservas sentem-se no direito de aumentar ou diminuir a extração de petróleo e subir ou não o seu preço. Da mesma forma, o capital financeiro dos países ricos deveria ser internacionalizado. Se a Amazônia é uma reserva para todos os seres humanos, ela não pode ser queimada pela vontade de um dono, ou de um país. Queimar a Amazônia é tão grave quanto o desemprego provocado pelas decisões arbitrárias dos especuladores globais. Não podemos deixar que as reservas financeiras sirvam para queimar países inteiros na volúpia da especulação. Antes mesmo da Amazônia, eu gostaria de ver a internacionalização de todos os grandes museus do mundo. O Louvre não deve pertencer apenas à França. Cada museu do mundo é guardião das mais belas peças produzidas pelo gênio humano. Não se pode deixar que esse patrimônio cultural, como o patrimônio natural amazônico, seja manipulado e destruído pelo gosto de um proprietário ou de um país. Neste momento, as Nações Unidas estão realizando o Fórum do Milênio, mas alguns presidentes de países tiveram dificuldades em comparecer por constrangimentos na fronteira dos Estados Unidos. Por isso, eu acho que Nova York, como sede das Nações Unidas, deve ser internacionalizada. Pelo menos Manhattan deveria pertencer a toda a humanidade. Assim como Paris, Veneza, Roma, Londres, Rio de Janeiro, Brasília, Recife, cada cidade, com sua beleza especifica, sua história do mundo, deveria pertencer ao mundo inteiro. Se os Estados Unidos querem internacionalizar a Amazônia, pelo risco de deixá-la nas mãos de brasileiros, internacionalizemos todos os arsenais nucleares dos Estados Unidos. Até porque eles já demonstraram que são capazes de usar essas armas, provocando uma destruição milhares de vezes maior do que as lamentáveis queimadas feitas nas florestas do Brasil. Nos seus debates, os candidatos a presidência dos Estados Unidos em defendido a idéia de internacionalizar as reservas florestais do mundo em troca da dívida. Comecemos usando essa dívida para garantir que cada criança do mundo tenha possibilidade de comer e de ir a escola. Internacionalizemos as crianças tratando todas elas como patrimônio que merece cuidados do mundo inteiro, ainda mais do que merece a Amazônia. Quando os dirigentes tratarem as crianças pobres do mundo como um patrimônio da humanidade, eles não deixarão que elas trabalhem quando deveriam estudar, ou que morram quando deveriam viver. Como humanista, aceito defender a internacionalização do mundo. Mas, enquanto o mundo me tratar como brasileiro, lutarei para que a Amazônia seja nossa. Só nossa!"
Pão, Com farinha Água E fogo Te levantas. Espesso e leve, Reclinado e redondo, Repetes O ventre Da mãe, Equinocial Germinação Terrestre. Pão, Que é fácil E que profundo tu és: No tabuleiro branco Da padaria Estendem-se as tuas filas Como utensílios, pratos Ou papéis, E de súbito a onda Da vida, A conjunção do germe E do fogo, Cresces, cresces De súbito Como Cintura, boca, seios, Colinas da terra, Vidas, Sobe o calor, inunda-te A plenitude, o vento Da fecundidade, E então Imobiliza-se a tua cor de ouro, E quando já estão prenhos Os teus ventres A cicatriz escura Deixou sinal de fogo Em todo o teu dourado Sistema de hemisférios. Agora intacto. És Ação de homem Milagre repetido, vontade da vida. Ó pão de cada boca Não Te imploraremos Nós, os homens, Não somos Mendigos De vagos deuses Ou de anjos obscuros: Do mar e da terra Faremos pão, Plantaremos de trigo A terra e os planetas O pão de cada boca De cada homem, em cada dia Chegará porque fomos Semeá-lo E fazê-lo, Não para um homem, mas Para todos, O pão, o pão Para todos os povos E com ele o que possui Forma e sabor de pão Repartiremos: A terra, A beleza, O amor, Tudo isso Tem sabor de pão, Forma de pão, Germinação de farinha, Tudo Nasceu para ser compartilhado, Para ser entregue, Para se multiplicar, Por isso, pão, Se foges Da casa do homem, Se te escondem, Se te negam, Se o avarento Te prostitui, Se o rico Te armazena, Se o trigo Não procura suco e terra, Pão, Não rezaremos, Pão, Não mendigaremos, Lutaremos por ti com outros homens, Com todos os famintos, Por todos os rios, pelo ar Iremos procurar-te, A terra toda repartiremos Para que tu germines, E conosco Avançará a terra: A água, o fogo, o homem Lutarão junto a nós. Iremos coroados De espigas, conquistando Terra e pão para todos, E então, Também a vida Terá forma de pão, Será simples e profunda, Inumerável e pura. Todos os seres Terão direito À terra e à vida, E assim será o pão de amanhã, O pão de cada boca, Sagrado, Consagrado, Porque será o produto Da mais longa e dura Luta humana. Não tem asas A vitória terrestre: Tem pão sobre os seus ombros, E voa corajosa Libertando a terra Como uma padeira Levada pelo vento.
O pior analfabeto é o analfabeto político, ele não ouve, não fala, nem participa dos acontecimentos políticos.
Ele não sabe o custo da vida,o preço do feijão, do peixe, da farinha, do aluguel, do sapato e do remédio dependem das decisões políticas. O analfabeto políticoÉ tão burro que se orgulha e estufa o peito dizendo que odeia a política. Não sabe o imbecil que,da sua ignorância política nasce a prostituta, o menor abandonado, e o pior de todos os bandidos,que é o político vigarista, pintra, corrupto e lacaio das empresas nacionais e multinacionais.
Por Wanderley Dias No foco da ENTREVISTA, tivemos nesta edição a jovem e bela Bruna Moreti, que falou sobre sua banda, Burning Love Letters da qual é vocalista e guitarrista. Banda que tem como demais integrantes Lucas e Rafael nas guitarras, Diego na Bateria e Paulo no Contra-Baixo.
1. Qual a levada da Banda e quais são suas influencias?
Fazemos um som alternativo, mesclando elementos do hardcore, emocore, screamo e post-core, procurando sempre não nos prender a algo pré-segmentado e buscando assim um estilo próprio. Dentre as muitas influencias estão The Used, Alesana, Underaoth, Paramore e Killi. Essas duas ultimas das quais fazemos covers.
2. Porque a escolha de cantar em português e quais são os temas mais recorrentes nas letras da banda?
Porque achamos mais fácil mostrar quem nós somos e transmitir o que queremos cantar em português.quanto aos temas procuramos falar sobre a vida de forma geral, explorando mais afundo sentimentos como amor, tristeza, ódio...
3. O que você acha do cenário musical da cidade?
O Cenário é bem legal. Existe aquelas bandas como em todo lugar que se isolam, porém há uma boa parte de outras como Andera, Fuscão 69 e Mahkina que sempre nos convidam para eventos. Ainda assim, se houvesse uma união mais forte o cenário poderia se desenvolver e crescer mais.
4. E quanto ao espaço destinado para a realizações de eventos?
A cidade (Mairiporã) não oferece nada! A prefeitura não disponibiliza nenhum espaço, sequer uma vez o mês. O que rola em termos de comunicação artística/publico tem vida com muito esforço por parte das próprias bandas. Para se ter uma idéia o ultimo evento foi "Udistoqui" (evento sem fins lucrativos realizado pelas proprias bandas no Pico do Olho D'agua, Mairiporã, direcionado para a comunidade jovem da cidade em 2008) no começo do ano! Daí a importância da união das bandas, já que por parte da prefeitura a situação é lamentável.
5. Para encerrar, quais os planos e perspectivas para 2.009?
Agora estamos correndo atrás do show em São Paulo, onde há um publico mais homogêneo/centrado para o tipo de som que fazemos. No começo de 2.009 também pretendemos gravar nossa DEMO e em seguida disponibilizar-la pela Internet. Página: Fotolog Comunidade do ORKUT:Burning Love Letters
Eles o testam como a um rato enjaulado.Antes o grão -mor deu um vale-alma para ingressar no programa Macaco Engaiolado.
Ele soa como um javali que corre a esmo, em golpes desnorteados.
Ela dança um olhar que o faz sentir-se como um cão sendo adestrado, para consentir como sua pergunta. De repente pulsa a ânsia: Vomita e reverbera soluções e grunhidos. Um porco esta se sentindo. Então exausto como um cavalo, açoitado pelos campos dias á fio se rende.
Após amassada a folha em branco se levanta e a golpeia com um touro de saco amarrado.Sai com classe, olhando pela frente e distante como uma coruja.
E ainda que em terra, finalmente para frente agora.Talvez tenha conseguido, com certeza quem sabe? Queria virar um pássaro...Eles observam-no partir quando o estalar da palmatória puxou a atenção, e assim foi roubando-lhes a condição de seres-humanos ano-á-ano.
Filme: V de Vingança/ Direção: James McTeigue / Ano: 2006.
Em uma Londres não muito distante estado de sitio imposto por um governo corrupto e opressor torna-se efetivo. É quando surge “V”, um idealista convicto e sem rosto, adepto ao anarquismo e da bela arte, fruto das imposições monstruosas do estado, ele pretende levar a massa oprimida e alienada a uma auto consciência. Para tanto V se torna uma guerrilha. Seus alvos são os principais símbolos e representantes do Governo. No entanto, V se perde entre seu desejo de vingança e o espírito de transformação, mesmo assim, seus atos caminham para uma auto consciência, mas sua rude vingança o coloca em uma contradição ideológica. V está no limite da a práxis entre a priore e a posteriore, ele é a própria contradição, no entanto indiscutivelmente resultado de seu mundo.
V de vingança estabelece um contraponto com o interessante filme dirigido por John Malkovich Guerrilha sem face. O filme produzido pelos irmão Andy e Larry Wachowski (Matrix) trata a revolução sem fontes intelectuais na literatura e na ciência, mas o simbolismo do simpático terrorista V (que significa todo o espírito revolucionário e a transformação) é inteligentemente elaborado para representar a voz dos oprimidos, do coletivo, e assim ele cria as condições para uma auto consciência que culmina na revolução . Já a obra de John Malkovich apresenta discussões sobre os caminhos para uma revolução a partir de fontes intelectuais. Baseado no livro "Dança no Andar de Cima", Guerrilha sem face conta a história real da perseguição a Manuel Rubén Abimael Guzmán Reynoso, principal representante da guerrilha peruana Sendero Luminoso, a partir da perspectiva de seu perseguidor, verdadeiramente interpretado por Javier Bardem, daí surgem os encantos romancescos (e em partes fantasiosos) do roteiro. O objetivo da guerrilha era o de superar as instituições burguesas peruanas por meio de um regime revolucionário e comunista de base camponesa, utilizando-se do conceito maoísta de Nova Democracia. O filme expressa estas fontes com sensibilidade, porem se perde ao não apresentar o intuito da auto consciência, ao contrario do que fez V de Vingança. Na obra de John Malkovich a guerrilha não é mostrada como fruto das contradições de seu mundo, sendo apresentada como simples criminalidade, no entanto as relações de poder são exploradas no filme com um realismo que V de Vingança não possui, a obra então é perfeita ao expor o Sendero Luminoso no papel de um Segundo Estado, porem coloca a questão como uma problemática regional e omite a participação imperialista dos EUA e as relações bipolares do mundo naquele momento.
Segundo o historiador Eric Hobsbawm no livro A Era das Revoluções,“em tempos de revolução nada é mais poderoso do que a queda de símbolos”. V inicia a revolução com a explosão de um símbolo e a termina com a destruição de outro, com os eventos as massas se mobilizam e legitimam a revolução, Sendero Luminoso não conquistou esse objetivo, então na queda de braço o outro lado saiu ganhando. Em outra perspectiva os dois filmes retratam dramas e aspirações humanas, a vontade do homem está em qualquer dos lados. Em V de Vingança as pessoas vivem em um mundo caricato, mas uma caricatura onde elas preferem V a um mundo desigual e perverso, onde as mídias ditam o que as massas precisam pensar, comer e vestir, onde liberdade não é mais que uma palavra e o conformismo, submissão, ignorância e a covarde fé espiritual são peias que V aponta como romper. Em Guerrilha sem Face o ambiente é realista e mostra Sendero Luminoso tão monstruoso como o Próprio Estado, mas na luta das monstruosidades, tal como ocorre no mundo do realismo o segundo prevalece.