
Em sua estreia na direção, Selton Mello revela um grande potencial e promessa para futuras produções no cinema nacional. Feliz Natal é um filme duro, seco, com seus vários personagens sofridos, cheios de uma história, um passado no ar... -já que não temos obviedades de suas biografias ao longo da trama- que resulta em incômodo, angústia no agora. A câmera de Selton vaga trêmula, buscando fugir do encontro com lugares comuns, tornando para quem aprecia o longa da poltrona, uma jornada íntima e prazerosa exatamente por este diferencial. Recorte num olhar, uma mão que acena, quase como uma mosca vigiando os atores sem que eles saibam. Tudo numa atmosfera que conta ainda com a trilha sonora de Plínio Profeta, certeiro meio ao desequilíbrio, falsas imagens, pose de uma família que desmorona de dentro para fora e vice versa.
Feliz Natal dialoga com o turco Três Macacos (2008), de Nuri Bilge Ceilan, com sua iluminação escura, fotografia de Lula Carvalho carregando uma densidade e peso ainda maior nos olhares perdidos, talvez no passado, ou qualquer tempo, com exceção do presente, já que nunca avistam quem muitas vezes está ao lado, solitário, pedindo por afeto. Falta de coragem, fuga do próprio nariz, longos silêncios, aqueles mesmos que em muitos momentos dizem mais do que mil palavras.
Um filho que é a ovelha negra, desgarrada do bando; o pai frio ao chamado deste filho; o irmão endinheirado = salvador da pátria, bom moço da família; a mãe que fala com o vácuo de ouvidos sem atenção, desnorteada pela loucura da tarja preta, e outros anões de Selton Mello circulam e respiram num tempo úmido, sufocante, com suas cicatrizes sendo cutucadas e o medo que leva à fuga e lágrimas engolidas. O futuro soa como uma barreira de chumbo, erguida pela intransigência que não respeita escolhas nem conhece o perdão, a compreensão. Uma barreira que só ganha força à medida que cada palavra da alma é massacrada por um desvio superficial. Assim caminha esse natal, em que a colisão vai se tornando tão necessária que muitas vezes acaba por ser solitária, acontecendo no que se rompe a tênue linha que separa a sanidade da loucura; a inércia proposital dos sentimentos e o desabar por traumas vivos e abertos.
Feliz Natal dialoga com o turco Três Macacos (2008), de Nuri Bilge Ceilan, com sua iluminação escura, fotografia de Lula Carvalho carregando uma densidade e peso ainda maior nos olhares perdidos, talvez no passado, ou qualquer tempo, com exceção do presente, já que nunca avistam quem muitas vezes está ao lado, solitário, pedindo por afeto. Falta de coragem, fuga do próprio nariz, longos silêncios, aqueles mesmos que em muitos momentos dizem mais do que mil palavras.
Um filho que é a ovelha negra, desgarrada do bando; o pai frio ao chamado deste filho; o irmão endinheirado = salvador da pátria, bom moço da família; a mãe que fala com o vácuo de ouvidos sem atenção, desnorteada pela loucura da tarja preta, e outros anões de Selton Mello circulam e respiram num tempo úmido, sufocante, com suas cicatrizes sendo cutucadas e o medo que leva à fuga e lágrimas engolidas. O futuro soa como uma barreira de chumbo, erguida pela intransigência que não respeita escolhas nem conhece o perdão, a compreensão. Uma barreira que só ganha força à medida que cada palavra da alma é massacrada por um desvio superficial. Assim caminha esse natal, em que a colisão vai se tornando tão necessária que muitas vezes acaba por ser solitária, acontecendo no que se rompe a tênue linha que separa a sanidade da loucura; a inércia proposital dos sentimentos e o desabar por traumas vivos e abertos.
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