
Filme: V de Vingança/ Direção: James McTeigue / Ano: 2006.
Em uma Londres não muito distante estado de sitio imposto por um governo corrupto e opressor torna-se efetivo. É quando surge “V”, um idealista convicto e sem rosto, adepto ao anarquismo e da bela arte, fruto das imposições monstruosas do estado, ele pretende levar a massa oprimida e alienada a uma auto consciência. Para tanto V se torna uma guerrilha. Seus alvos são os principais símbolos e representantes do Governo. No entanto, V se perde entre seu desejo de vingança e o espírito de transformação, mesmo assim, seus atos caminham para uma auto consciência, mas sua rude vingança o coloca em uma contradição ideológica. V está no limite da a práxis entre a priore e a posteriore, ele é a própria contradição, no entanto indiscutivelmente resultado de seu mundo.
V de vingança estabelece um contraponto com o interessante filme dirigido por John Malkovich Guerrilha sem face. O filme produzido pelos irmão Andy e Larry Wachowski (Matrix) trata a revolução sem fontes intelectuais na literatura e na ciência, mas o simbolismo do simpático terrorista V (que significa todo o espírito revolucionário e a transformação) é inteligentemente elaborado para representar a voz dos oprimidos, do coletivo, e assim ele cria as condições para uma auto consciência que culmina na revolução . Já a obra de John Malkovich apresenta discussões sobre os caminhos para uma revolução a partir de fontes intelectuais. Baseado no livro "Dança no Andar de Cima", Guerrilha sem face conta a história real da perseguição a Manuel Rubén Abimael Guzmán Reynoso, principal representante da guerrilha peruana Sendero Luminoso, a partir da perspectiva de seu perseguidor, verdadeiramente interpretado por Javier Bardem, daí surgem os encantos romancescos (e em partes fantasiosos) do roteiro.
O objetivo da guerrilha era o de superar as instituições burguesas peruanas por meio de um regime revolucionário e comunista de base camponesa, utilizando-se do conceito maoísta de Nova Democracia. O filme expressa estas fontes com sensibilidade, porem se perde ao não apresentar o intuito da auto consciência, ao contrario do que fez V de Vingança. Na obra de John Malkovich a guerrilha não é mostrada como fruto das contradições de seu mundo, sendo apresentada como simples criminalidade, no entanto as relações de poder são exploradas no filme com um realismo que V de Vingança não possui, a obra então é perfeita ao expor o Sendero Luminoso no papel de um Segundo Estado, porem coloca a questão como uma problemática regional e omite a participação imperialista dos EUA e as relações bipolares do mundo naquele momento.
O objetivo da guerrilha era o de superar as instituições burguesas peruanas por meio de um regime revolucionário e comunista de base camponesa, utilizando-se do conceito maoísta de Nova Democracia. O filme expressa estas fontes com sensibilidade, porem se perde ao não apresentar o intuito da auto consciência, ao contrario do que fez V de Vingança. Na obra de John Malkovich a guerrilha não é mostrada como fruto das contradições de seu mundo, sendo apresentada como simples criminalidade, no entanto as relações de poder são exploradas no filme com um realismo que V de Vingança não possui, a obra então é perfeita ao expor o Sendero Luminoso no papel de um Segundo Estado, porem coloca a questão como uma problemática regional e omite a participação imperialista dos EUA e as relações bipolares do mundo naquele momento.
Segundo o historiador Eric Hobsbawm no livro A Era das Revoluções,“em tempos de revolução nada é mais poderoso do que a queda de símbolos”. V inicia a revolução com a explosão de um símbolo e a termina com a destruição de outro, com os eventos as massas se mobilizam e legitimam a revolução, Sendero Luminoso não conquistou esse objetivo, então na queda de braço o outro lado saiu ganhando. Em outra perspectiva os dois filmes retratam dramas e aspirações humanas, a vontade do homem está em qualquer dos lados. Em V de Vingança as pessoas vivem em um mundo caricato, mas uma caricatura onde elas preferem V a um mundo desigual e perverso, onde as mídias ditam o que as massas precisam pensar, comer e vestir, onde liberdade não é mais que uma palavra e o conformismo, submissão, ignorância e a covarde fé espiritual são peias que V aponta como romper. Em Guerrilha sem Face o ambiente é realista e mostra Sendero Luminoso tão monstruoso como o Próprio Estado, mas na luta das monstruosidades, tal como ocorre no mundo do realismo o segundo prevalece.
Por Silvio Neves de Souza
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