sábado, 31 de outubro de 2009

Pablo Neruda

Pablo Neruda (1904-1973) Peixe Preso Dentro do Vento
"Tu perguntas o que uma lagosta tece lá embaixo com seus pés dourados? Respondo que o oceano sabe. E por quem a medusa espera em sua veste transparente? Está esperando pelo tempo, como tu. 'Quem as algas apertam em seu abraço...', perguntas 'mais firme que uma hora e um mar certos?' Eu sei. Perguntas sobre a presa branca do narval e eu respondo contando como o unicórnio do mar, arpado, morre. Perguntas sobre as plumas do rei-pescador que vibram nas puras primaveras dos mares do sul. Quero te contar que o oceano sabe isto: que a vida, em seus estojos de jóias, é infinita como a areia incontável, pura; e o tempo, entre uvas cor de sangue tornou a pedra dura e lisa encheu a água-viva de luz, desfez o seu nó, soltou seus fios musicais de uma cornicópia feita de infinita madrepérola. Sou só a rede vazia diante dos olhos humanos na escuridão e de dedos habituados à longitude do tímido globo de uma laranja. Caminho como tu, investigando a estrela sem fim e em minha rede, durante a noite, acordo nu. A única coisa capturada é um peixe preso dentro do vento".

Fundação Pablo Neruda: http://www.fundacionneruda.org/

Poemas de Amor: http://www.poemasdeamor.com.br/imortais/poemas.aspx?id=5

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